Todos já experimentamos momentos de desconforto em relacionamentos, nos quais a convivência fica difícil, incerta e cheia de melindres. Quando isto acontece, podemos dizer que nos sentimos em um campo minado, com a possibilidade de explodir novamente e a qualquer momento.
Por outro lado, todos também já experimentamos o caráter libertador do gesto de perdão. Tanto quando o oferecemos ou quando o recebemos. O perdão é capaz de nos retirar de um campo minado e nos transportar para um lugar cuja sensação é de paz, conforto e liberdade. Talvez os melhores exemplos desta natureza, sejam aqueles que vivenciamos com pessoas muito próximas, como as da familia, os amigos ou os irmãos da fé.
O perdão tem um poder libertador! Ele faz nos sentir paz! O perdão nos transporta para uma nova qualidade de vida, como se ressurgíssemos para novamente viver!
Sobretudo na nossa relação com Deus, a capacidade de vivenciar e desfrutar do perdão é de um poder imensamente reparador. É como se nossas feridas fossem instantaneamente fechadas e estancada uma hemorragia que nos fazia morrer pouco a pouco. Usando uma outra linguagem, Davi se expressou assim: "Enquanto calei os meus pecados, envelheceram os meus ossos e pelos meus constantes gemidos todo o dia. Porque a tua mão pesava sobre mim, e o meu vigor secou como no calor do verão. Confessei-te o meu pecado e a minha iniquidade não mais ocultei. Eu disse: Confessarei ao Senhor as minhas transgressões; e tu perdoaste a iniquidade do meu pecado"- Salmos 32.3-5.
Foi dessa forma que Davi saiu de uma prisão da alma para uma restauração de sua vida. Podemos dizer que, saiu do vale da morte para a estrada da vida: ressurgiu!
Quando Cristo subiu naquela Cruz, tendo como instrumento o ódio dos judeus e a crueldade dos romanos, suas primeiras palavras foi uma oração, sussurrando: "Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem" - Lucas 23.34. Esta súplica na Cruz rompeu o silêncio e abriu a caminhada do Filho de Deus para o perdão dos pecadores, até que por fim ele bradou: "Está consumado!" Jo 19.30. Foi assim que a estrada cruenta do perdão, conquistada por Cristo, nos abriu um caminho de descanso: "Nas tuas mãos, entrego omeu espírito" - Lucas 23.46.
O filho de Deus descansou, quando conseguiu para nós o descanso. Esse descanso foi a vitória da vida sobre a morte. Ao ressuscitar, ele nos trouxe do cativerio do pecado, para a liberdade da presença de Deus. A sua ressurreição aponta para esse momento em que saímos de uma condição de condenados, para mui amados de Deus. Esse é o poder do perdão! O poder de nos dar vida!
Rev. Mauricio Nepomuceno